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Sociedade · Explicador

Universidade nos EUA: como funciona, quanto custa e por que tanta gente sai devendo

Sem vestibular único, com dois anos de matérias gerais e mensalidades que passam de US$ 45 mil por ano: o ensino superior americano explicado para quem pensa em estudar lá.

Por Redação A4 4 de novembro de 2026 · 2 min de leitura
Campus da Universidade de Iowa, pública, em Iowa City
Campus da Universidade de Iowa, pública, em Iowa City · Foto: Ken Lund / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Em 30 segundos

  • Não há vestibular nacional: cada faculdade avalia notas, redações, atividades e, em muitos casos, o SAT ou o ACT.
  • Em 2025-26, a anuidade média de uma universidade privada sem fins lucrativos é de US$ 45 mil, sem contar moradia e alimentação.
  • A dívida estudantil federal passa de US$ 1,7 trilhão, distribuída entre 42,3 milhões de pessoas.
  • Mesmo nas universidades públicas americanas, o ensino é pago.

Os filmes americanos venderam a imagem: campus gramado, fraternidades, festa de formatura com capelo para o alto. A parte que aparece menos é a conta. Nos EUA, faculdade é paga — inclusive a pública — e a dívida estudantil do país passa de US$ 1,7 trilhão.

College ou university?

Para os americanos, “ir para o college” é simplesmente fazer faculdade. Tecnicamente, college costuma oferecer graduação, e university é uma instituição maior, com graduação e pós. Uma não é inferior à outra: algumas das escolas mais disputadas do país se chamam college.

O bacharelado (bachelor’s degree) dura em geral quatro anos. E há o community college, de dois anos, que dá um diploma técnico (associate degree) ou serve de ponte: o aluno faz os dois primeiros anos ali, pagando menos, e transfere os créditos para uma universidade.

Primeiro o geral, depois a especialização

Uma diferença grande para o Brasil: o estudante não entra num curso fechado. Os primeiros semestres misturam matérias gerais obrigatórias, disciplinas do major (a área principal) e eletivas. Dá para entrar sem ter decidido o major e escolher depois — o momento varia de uma faculdade para outra.

Sem vestibular único

Não existe um exame nacional. Cada faculdade analisa o candidato como um todo: histórico escolar, redações, atividades extracurriculares, prêmios, trabalho voluntário. Os testes padronizados, SAT e ACT, hoje são opcionais na grande maioria das faculdades — mas algumas das mais seletivas voltaram a exigi-los, como Harvard e Dartmouth, a partir dos ingressantes de 2025.

Quanto custa

Médias de anuidade e taxas em 2025-26, segundo o College Board — sem moradia, alimentação e livros:

  • Community college público: US$ 4.150;
  • Universidade pública, para morador do estado: US$ 11.950;
  • Universidade pública, para quem vem de outro estado: US$ 31.880;
  • Universidade privada sem fins lucrativos: US$ 45.000.

Estudantes estrangeiros não entram nas categorias que podem receber ajuda federal. A bolsa federal mais conhecida, a Pell Grant, chega a no máximo US$ 7.395 em 2026-27 e é restrita a cidadãos e a algumas categorias de imigrantes. Para internacionais, a saída costuma ser bolsa da própria universidade.

A conta que fica

Quem não tem bolsa nem família rica pega empréstimo. Hoje, a dívida com empréstimos estudantis federais passa de US$ 1,7 trilhão, espalhada entre 42,3 milhões de pessoas, segundo o Departamento de Educação. O diploma americano abre portas — mas, para muita gente, vem com parcelas por décadas.

Fontes

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