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Política · Explicador

Suprema Corte dos EUA: nove juízes, cargo vitalício e a última palavra sobre a Constituição

Como os juízes chegam lá, por que ficam até quando quiserem e por que a corte americana julga menos de 100 casos por ano — enquanto o STF recebe dezenas de milhares.

Por Redação A4 4 de novembro de 2026 · 2 min de leitura
O prédio da Suprema Corte dos EUA, em Washington
O prédio da Suprema Corte dos EUA, em Washington · Foto: Arquiteto do Capitólio / Wikimedia Commons (domínio público)

Em 30 segundos

  • A Suprema Corte tem nove juízes, indicados pelo presidente e confirmados pelo Senado por maioria simples.
  • O cargo é vitalício: não há idade de aposentadoria compulsória, e os juízes só saem se quiserem, se morrerem ou por impeachment.
  • A corte escolhe o que julga: no ano judiciário de 2024, recebeu 3.856 pedidos e ouviu 73 casos em sessão oral.
  • Seis dos nove juízes atuais foram indicados por presidentes republicanos, e três por democratas.

Aborto, armas, imigração, poderes do presidente: quase toda grande disputa americana termina no mesmo prédio de mármore em Washington. A Suprema Corte é a última instância do país e a intérprete final da Constituição. E tem um desenho bem diferente do STF.

Nove juízes — por enquanto

A Constituição americana não diz quantos juízes a corte deve ter. Quem decide é o Congresso, e o número já variou entre cinco e dez. Desde a Lei Judiciária de 1869, são nove: um presidente da corte (Chief Justice) e oito juízes associados.

A composição atual, pela ordem de chegada:

  • Clarence Thomas (1991), indicado por George H. W. Bush;
  • John Roberts (2005, presidente da corte) e Samuel Alito (2006), indicados por George W. Bush;
  • Sonia Sotomayor (2009) e Elena Kagan (2010), indicadas por Barack Obama;
  • Neil Gorsuch (2017), Brett Kavanaugh (2018) e Amy Coney Barrett (2020), indicados por Donald Trump;
  • Ketanji Brown Jackson (2022), indicada por Joe Biden.

Indicação, Senado e a “opção nuclear”

O presidente indica; o Senado confirma. Até 2017, a oposição podia travar uma indicação com a obstrução (filibuster), que exigia 60 votos para encerrar o debate. Naquele ano, o Senado mudou a regra para indicações à Suprema Corte, e basta maioria simples. Na prática, quem controla a Casa Branca e o Senado ao mesmo tempo consegue aprovar seu nome.

Vitalício de verdade

Os juízes ficam no cargo “enquanto tiverem bom comportamento”, diz a Constituição — ou seja, pelo tempo que quiserem. Não há aposentadoria compulsória. Por isso cada vaga vira uma batalha política: um juiz nomeado aos 50 anos pode influenciar decisões por três décadas. E por isso a idade e a saúde dos juízes viram assunto de campanha.

A corte escolhe o que julga

A Suprema Corte não é obrigada a ouvir quase nada. Quem perde em instância inferior pede uma revisão (writ of certiorari), e o caso só é aceito se pelo menos quatro juízes concordarem — a chamada “regra dos quatro”, que não está escrita em lei.

O filtro é rigoroso. No ano judiciário de 2024, a corte recebeu 3.856 pedidos e ouviu 73 casos em sessão oral, segundo o relatório anual do presidente da corte. O ano judiciário começa, por lei, na primeira segunda-feira de outubro, e as decisões mais aguardadas costumam sair em junho.

De onde vem tanto poder

A Constituição não diz com todas as letras que a corte pode anular leis. Esse poder foi afirmado pela própria corte em Marbury v. Madison, de 1803, a primeira vez em que ela declarou inconstitucional uma lei aprovada pelo Congresso. Desde então, é ela quem dá a última palavra sobre o que a Constituição permite — e, como os juízes são escolhidos por presidentes de cada lado, a composição da corte pesa tanto quanto o texto da lei.

Fontes

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