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Política · Explicador

Democratas e republicanos: o que cada partido defende — e por que os EUA só têm dois

Burro, elefante, azul e vermelho: um guia para entender os dois partidos que dominam a política americana há mais de 150 anos, sem torcida.

Por Redação A4 4 de novembro de 2026 · 3 min de leitura
“The Third-Term Panic”, charge de Thomas Nast na Harper's Weekly, em 1874: a primeira aparição do elefante como símbolo republicano
“The Third-Term Panic”, charge de Thomas Nast na Harper's Weekly, em 1874: a primeira aparição do elefante como símbolo republicano · Foto: Thomas Nast / Harper's Weekly (domínio público)

Em 30 segundos

  • O Partido Democrata tem raízes no início do século 19; o Partido Republicano foi fundado em 1854, em torno da oposição à expansão da escravidão.
  • Em linhas gerais, democratas defendem um governo federal mais presente; republicanos, impostos menores e um governo federal mais enxuto.
  • O sistema eleitoral em que o vencedor leva tudo praticamente empurra o país para dois grandes partidos.
  • Os símbolos vêm do século 19: o burro dos democratas remonta a Andrew Jackson; o elefante republicano foi popularizado pelo cartunista Thomas Nast.

Nos Estados Unidos, quase todo político eleito — do presidente ao vereador — é democrata ou republicano. Para um brasileiro acostumado a dezenas de siglas, o arranjo parece estranho. Mas ele explica boa parte do noticiário americano, da polarização às brigas internas de cada partido.

Os dois, em linhas gerais

As generalizações abaixo descrevem as plataformas oficiais e o comportamento médio dos partidos. Dentro de cada um há alas que discordam entre si — às vezes com mais força do que discordam do adversário.

Democratas (azul)

  • Defendem um papel maior do governo federal em saúde, educação e proteção social; a reforma da saúde de 2010, o Obamacare, é uma de suas principais marcas.
  • Propõem impostos mais altos para quem ganha mais e para grandes empresas.
  • Defendem políticas de combate às mudanças climáticas e regras mais rígidas para a venda de armas.
  • Apoiam o direito ao aborto e caminhos de regularização para parte dos imigrantes sem documentos.
  • Têm mais votos nas grandes cidades, nos litorais, entre jovens, minorias e eleitores com diploma universitário.

Republicanos (vermelho)

  • Defendem impostos menores, menos regulação e um governo federal mais enxuto, com mais poder para os estados.
  • Defendem o direito ao porte de armas, previsto na Segunda Emenda da Constituição.
  • Propõem controle mais rígido da imigração e da fronteira.
  • Em geral, defendem restrições ao aborto, tema que a Suprema Corte devolveu aos estados em 2022.
  • Têm mais votos nas áreas rurais, no Sul e no interior do país, entre eleitores evangélicos e eleitores brancos sem diploma universitário.

Nos últimos anos, as fronteiras se mexeram. O Partido Republicano ficou mais protecionista no comércio e mais populista no discurso; o Partido Democrata perdeu terreno entre eleitores da classe trabalhadora que já foram sua base. As coalizões de cada partido estão em transformação.

De onde vieram

O Partido Democrata remonta ao início do século 19 e se organizou em torno de Andrew Jackson, presidente eleito em 1828. O Partido Republicano nasceu em 1854, reunindo opositores à expansão da escravidão; seis anos depois, elegeu Abraham Lincoln.

Ao longo de quase dois séculos, os dois trocaram de bases e de bandeiras mais de uma vez. O Sul, por exemplo, foi reduto democrata por quase cem anos e hoje é majoritariamente republicano.

Burro, elefante, azul e vermelho

O burro dos democratas surgiu como provocação: adversários chamavam Andrew Jackson de “asno”, e ele adotou o animal na campanha de 1828. O elefante republicano se consolidou com o cartunista Thomas Nast, na revista Harper’s Weekly, em 1874. Já as cores são recentes: o azul democrata e o vermelho republicano se fixaram nos mapas das emissoras de TV na eleição de 2000.

Por que só dois

Não há lei que proíba outros partidos — eles existem e disputam eleições. O problema é o sistema: em quase todas as disputas, quem tem mais votos leva a vaga inteira, e o segundo colocado não leva nada. Isso faz o eleitor evitar candidatos que não têm chance, para não “desperdiçar” o voto, e empurra as forças políticas para dentro dos dois grandes partidos. A disputa entre moderados e radicais, que no Brasil gera siglas novas, nos EUA acontece nas primárias.

Fontes

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